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Frevo no pé!

Publicado: Quarta, 19 de Fevereiro de 2020, 18h25 | Última atualização em Quarta, 25 de Março de 2020, 11h52 | Acessos: 395

 

Mais do que um estilo musical, o frevo caracteriza-se por ser uma manifestação artística-folclórica em que música e dança encontram-se indissoluvelmente associadas. Característico de Pernambuco, em especial do Recife, o frevo predomina nas ruas da capital pernambucana durante o carnaval, e espalha-se também por muitas outras cidades brasileiras. Declarado Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO no ano de 2012, o frevo se caracteriza por um ritmo extremamente acelerado e passos de dança em que o árduo jogo de pernas por vezes chega a lembrar a capoeira.

A celebração do carnaval nas cidades brasileiras foi, durante muito tempo, marcada pelo entrudo português, um evento cheio de malícia, rudeza e alguma violência. Em um processo comum a várias cidades brasileiras, em meados do século XIX, as elites começaram um embate contra o “indecente” e incontrolável entrudo, buscando reinventar formas mais elegantes de carnaval europeu. Convertido em espetáculo de máscaras e mesuras, o carnaval das elites deixava de fora aqueles que não podiam frequentar bailes e clubes elegantes.

Nas últimas décadas do século XIX e primeiros anos do XX, as ruas do Recife passaram a receber cortejos de carros alegóricos, muitos deles com temáticas e fantasias críticas, alusivas a situação política ou a famílias rivais. Confeccionados e organizados por sociedades carnavalescas (Cavalheiros da Época, Cavalheiros de Satanás, Os Filomomos, Nove e Meia do Arraial, entre outras), os desfiles, juntamente com os bailes de mascarados, eram a diversão carnavalesca principal da nata recifense.

Este carnaval excludente e elitista transformava o “populacho” em espectador, já que este não possuía nem verba e nem verve para participar. Tampouco tinham permissão para tal, e tentativas de aproximação eram rechaçadas pelos vigilantes da ordem. No entanto, este carnaval em que a elite ocupava as ruas com suas piadas afiadas e fantasias e carros elaborados não durou muito tempo, por várias razões, inclusive desentendimentos frequentes entre facções políticas e famílias poderosas que incomodavam-se quando eram alvo de críticas. Antes de 1910 o carnaval elegante da cidade passou a se limitar aos salões de baile.

Paralelamente às iniciativas elitistas de reinventar em Pernambuco os elegantes carnavais de Veneza, as classes populares (que sempre resistiram às tentativas de repressão a festa que levavam para as ruas da cidade) também ganharam novo impulso de energia e imaginação carnavalescas, organizando clubes “pedestres”, agremiações carnavalescas populares que se apresentavam em um desfile pelas ruas, precedidos dos respectivos estandartes, todos uniformizados, formando o cordão. Percorriam as ruas homenageando sócios do clube ou pessoas de destaque, ou mesmo instituições admiradas, acompanhados de música, realizando manobras ensaiadas. A participação de bandas militares era comum, e embora fossem clubes populares que se propunham a levar o carnaval para o chão, as agremiações “pedestres” eram vistas por muitos como mais uma forma de “domar” um público agitado que não queria saber de fila, forma, parada e procissão.

Foi a partir da (rápida) troca espontânea entre os populares de fora dos cordões, capoeiras que abriam os desfiles, quadrilhas de origem rural e europeia, batuques de todo tipo e as bandas de metal dos clubes pedestres que o frevo acabou por se formar, nas duas primeiras décadas do século XX.

Fruto do crescimento da cidade e da agitação urbana que lhe é consequente, alimentada em Recife por ondas migratórias regionais, amálgama das diversas expressões culturais concentradas nas suas ruas, o frevo é marcado pela música galopante e frenética, e por uma coreografia complexa e estranhamente individual.

Foliões interpretam, frente ao palácio Rio Negro [em Petrópolis, RJ] a dança pernambucana frevo [presente o presidente Getúlio Vargas], 1953. BR RJANRIO EH.0.FIL, CJI.62

 ARAUJO, Rita de Cássia Barbosa de. Carnaval do Recife: a alegria guerreira. Estud. av.,  São Paulo ,  v. 11, n. 29, p. 203-216,  Apr.  1997 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141997000100011&lng=en&nrm=iso>. access on  24  Jan.  2020.  http://dx.doi.org/10.1590/S0103-40141997000100011

 

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