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Imigração japonesa

Publicado: Quarta, 02 de Junho de 2021, 13h02 | Última atualização em Quarta, 02 de Junho de 2021, 13h12 | Acessos: 699

O Brasil recebeu milhões de imigrantes voluntários, cerca de 4 milhões de pessoas até a metade do século XX. A grande maioria de portugueses, mas também recebemos grande número de espanhóis, italianos, judeus, alemães e árabes (da Síria e do Líbano, especialmente). E também japoneses.

Os primeiros imigrantes japoneses chegaram ao porto de Santos no navio Kasato Maru em junho de 1908. A crise de superpopulação e as transformações que marcaram o fim da era do shogunato e início da era Meiji em 1868 contribuíram de forma crucial para a saída de um grande número de japoneses do seu país de origem, que majoritariamente dirigiam-se aos Estados Unidos. No início do século XX o país limitou a entrada de imigrantes japoneses, o que acabou desviando o fluxo migratório para outros países, inclusive o Brasil.

No reinado de d. Pedro II algumas iniciativas em relação a imigração organizada chegaram a trazer para o país mão de obra para as lavouras do sul e sudeste, e em alguns casos resultando na criação de colônias que até hoje marcam a paisagem de algumas regiões. Depois do fim da escravidão e da monarquia, novas ondas de imigração foram organizadas, e desta vez o destino não era apenas o mundo rural, mas também o das cidades.

O acordo que permitiu a vinda dos 781 imigrantes oficiais vindos do porto de Kobe foi articulado entre o governo do estado de São Paulo e o japonês, intermediado pelo empreendedor japonês Ryu Mizuno, da Companhia de Emigração Imperial, e o ministro japonês Fukashi Sugimura. A vinda desta primeira leva só foi possível graças a anos de negociações políticas que alteraram a legislação em vigor no Brasil e permitiram e depois, incentivaram a imigração de chineses e japoneses.

Em 1890 o decreto nº 528 determinava que a entrada de imigrantes da África e da Ásia seria permitida apenas com autorização do Congresso Nacional. A imigração de povos oriundos da Europa era, ao contrário, incentivada, o que era um indício bastante claro que, por trás da busca de mão de obra barata para a expansão da produção agrária (especialmente a cafeicultura) havia um projeto de “branqueamento” da população brasileira. Dois anos depois a lei foi alterada, não sem acirrados debates no Congresso Nacional, mas apenas com a virada para o século XX que as negociações avançaram, especialmente a partir do momento em que a Itália proibiu (temporariamente) a emigração subsidiada para o Brasil, em consequência das péssimas condições de trabalho impostas por fazendeiros acostumados a lidar com mão de obra escrava.

A primeira leva de imigrantes japoneses instala-se em terras adquiridas pelas companhias de imigração (onde se dedicavam a produzir principalmente algodão, essencial para a indústria têxtil japonesa), núcleos de imigrantes ou fazendas de café no interior de São Paulo. Embora o contrato previsse uma permanência de 5 anos, a maioria deixa os locais designados em menos de 1 ano. Em setembro de 1909 restavam apenas 191 pessoas nas fazendas inicialmente contratantes.

O processo de imigração não esmoreceu, e em 1910 navio Ryojun Maru aportava em Santos com mais 906 trabalhadores a bordo. Distribuídos por outras fazendas, eles enfrentaram os mesmos problemas que seus antecessores, mas com o tempo a situação nas fazendas começou a mudar e os imigrantes aprenderam o duro caminho de adaptação a um país tão radicalmente diferente do seu.

Ao longo das décadas seguintes, muitas famílias começaram a adquirir terras próprias, ou começaram a migrar para as cidades, onde trabalharam na nascente indústria ou abriram negócios próprios. Escolas para os filhos de imigrantes foram abertas, e o noroeste de São Paulo permaneceu sendo o pólo onde os imigrantes se fixavam. Nos anos 1920 e 1930 houve o maior fluxo de imigrantes oriundos do Japão, e embora muitos ainda estivessem comprometidos com as companhias de imigração, o número de famílias que passou a se organizar e a buscar trabalho e colocação por conta própria cresceu. Percebendo que o governo japonês não tinha interesse algum em organizar ou sequer permitir seu retorno, os imigrantes passaram a buscar no Brasil o melhor caminho possível para uma independência ou mesmo uma ascensão econômica que lhes eram vedadas em seu país de origem. Muitas colônias nasceram por iniciativa dos próprios imigrantes, que embora majoritariamente permanecessem em São Paulo, também exploraram nossas regiões de fronteira (centro-oeste e região amazônica) e outros estados no sul e nordeste.

O período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial, assim como os anos que duraram o conflito, representaram um grande desafio para a comunidade nipo-brasileira, àquela altura já estabelecida no Brasil. Além de limitações às suas atividades impostas pelo governo, os imigrantes sofreram com o preconceito (um preconceito anterior, latente, arraigado e jamais superado) dos brasileiros com quem conviviam.

Atualmente o Brasil possui cerca de 1.6 milhões de imigrantes japoneses e descendentes, o que configura o maior número de japoneses e descendentes vivendo fora do Japão em todo o mundo. No final da década de 1980, muitos destes descendentes fizeram o caminho de volta para o Japão, configurando o fenômeno dekassegui (trabalhar fora de casa). O caminho, embora inverso, tem inspirações semelhantes: deixar para trás uma terra esgotada para chegar a um novo mundo de possibilidades e, quem sabe, retornar em melhores condições econômicas. 

Reportagem produzida pela Agência Nacional mostrando os festejos do 70º aniversário da imigração japonesa no Brasil, com as presenças dos príncipes japoneses Akihito e Michikodo, do presidente do Brasil Ernesto Geisel, da primeira-dama Luci Geisel e do ministro Azeredo da Silveira. BR_RJANRIO_EH_0_FIL_BHO_240. Agência Nacional

Leitura recomendada

de Moraes Tanaka, A. M. (2003). Imigração e colonização japonesa no Brasil-um resumo. Cadernos do Programa de Pós-Graduação em Direito–PPGDir./UFRGS.

Sakurai, C. (2000). Imigração tutelada: os japoneses no Brasil.

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