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Mulheres negras e feminismo

Publicado: Terça, 06 de Julho de 2021, 14h08 | Última atualização em Terça, 06 de Julho de 2021, 14h17 | Acessos: 55

O movimento feminista nascido das lutas sociais nas democracias contemporâneas é percebido como um movimento inédito de defesa e conquista dos direitos das mulheres, que se originou nos países desenvolvidos (Europa e Estados Unidos) e se espalhou pelos quatro cantos do planeta.

Contudo, os registros históricos não deixam dúvidas acerca da presença da movimentos organizados de mulheres em vários países fora do eixo norte-ocidental desde as primeiras décadas do século XX. No Arquivo Nacional, o fundo Federação Brasileira pelo Progresso Feminino apresenta documentação que mostra, em fotografias e correspondência, o ativismo de mulheres da Índia ao Uruguai, passando pela Turquia, China e Marrocos. As pautas dos movimentos diferiam, no entanto, e se de fato no eixo Europa-EUA a luta se concentrava nas questões jurídicas e políticas, em outros países as pautas não apenas apresentavam suas especificidades (às vezes desconexas em relação às questões típicas das democracias ocidentais modernas) mas também incorporavam as experiências passadas das mulheres naquelas sociedades específicas. Em outros países fora do eixo Europa-América do Norte, o feminismo acabou se organizando também em torno de questões políticas como o direito ao voto.

Ao longo do século XX e adentrando o século XXI, o movimento feminista apresentou diversas ondas, caracterizadas por pautas específicas e diferentes aspectos e estratégias de reivindicação e organização. E desde sempre, percebemos a presença de questionamentos relacionados à classe social ou a etnia a qual as mulheres pertencem. As dificuldades e demandas de uma mulher branca de classe média norte-americana nunca foram as mesmas de uma mulher negra de classe baixa em um país ainda sob jugo colonial. Estas diferenças, no entanto, ganharam centralidade apenas na chamada terceira onda, na década de 1990, quando mulheres negras, indígenas, homossexuais, sindicalistas, revolucionárias passaram a lançar uma luz mais intensa sobre os problemas enfrentados por elas em suas lutas específicas para além do rótulo geral relacionado ao sexo, levando a uma intensa discussão acerca não apenas de raça e classe, mas também do que é o gênero.

No Brasil, a visibilidade das ativistas negras ganhou corpo a partir da década de 1970, no contexto da reorganização dos movimentos sociais que haviam sido sufocados pela ditadura militar. Naquele momento, além do movimento sindical e estudantil que haviam sido a preocupação central da ditadura na década anterior, ganham destaque o movimento negro e o feminista, inclusive com a emergência das pautas da mulher negra.

Embora a questão da condição da mulher negra encontre-se no centro do debate para o feminismo negro que busca um contraponto ao feminismo hegemônico das mulheres brancas da elite, há outros aspectos fundamentais a sem colocados: a visibilidade da mulher negra, a construção dos seus próprios discursos, o reconhecimento das vozes e de modelos negras nas quais as meninas/ jovens/ mulheres negras possam se espelhar, com quem possam se identificar _ visibilidade, representatividade, lugar de fala.

As especificidades do movimento feminista, longe de enfraquece-lo, enriquecem-no na medida em que trazem a diversidade da vida real para o ativismo, aumentando o escopo da luta e também ganhando em poder de atração para mulheres que anteriormente poderiam se sentir excluídas.

 

Leitura recomendada:

https://www.geledes.org.br/feminismo-negro-sobre-minorias-dentro-da-minoria/

https://www.blogs.unicamp.br/mulheresnafilosofia/feminismo-negro/

 Vídeo produzido pelo Conselho Estadual da Condição Feminina em 1986. Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. BR_RJANRIO_EZ_0_FIL_0149_0001

https://www.youtube.com/watch?v=N0vVoNfySMM&list=PLQatXEugAYdfeMHb23ZyHaQfj-9uVMRaV&index=41

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