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Diplomacia: Brasil - Venezuela

Publicado: Terça, 04 de Janeiro de 2022, 11h43 | Última atualização em Terça, 04 de Janeiro de 2022, 11h48 | Acessos: 500

Desde sua independência do jugo espanhol pela liderança de Simón Bolívar e até o início do século 20 a Venezuela apresentou uma imagem cambiável ao mundo: ora palco de conflitos internos e caos generalizado, ora um país revolucionário a discutir questões políticas de relevância internacional, ora terra do petróleo e bons investimentos.

As relações entre Brasil e Venezuela apresentaram tensões ao longo de todo o século XIX e primeiras décadas do século XX, em função do regime Imperial que governou o Brasil até 1889 (em contraposição à República venezuelana) e de questões de fronteira entre os dois países. Apesar da tensão subjacente, instalou-se ao longo do tempo uma tradição diplomática consistente e uma prática de diálogo amigável que tinham como eixo a boa vontade de ambos os lados em estabelecer parcerias diplomáticas e a percepção de um ecossistema comum partilhado (embora limitado), que permitiram a assinatura de tratados como o de amizade e navegação (1859), de extradição (1938) e comercial (1940). Entre 1940 e 1962, as relações entre os dois países sofreram desgaste ocasionado, em alguns momentos, com delírios que envolviam expansões territoriais jamais esboçadas, arrogância sem nenhum fundamento, leviandades e falsas presunções.

A segunda metade do século XX foi marcada por uma realidade bipolar imposta pelas disputas entre Estados Unidos e União Soviética, as duas potências que dominavam o cenário internacional de forma inconteste. Esta disputa transformou o mundo em palco de uma guerra nem sempre fria, em que continentes inteiros passaram a ser vistos como territorios secundários de uma das duas potências. A América do Sul passou a se perceber como uma região específica e com interesses, problemas e temores partilhados: pobreza, desigualdade, dependência externa, endividamento, insurgências, subdesenvolvimento, imperialismo. Entre 1946 e 1964 o Brasil passou por um período democrático que não teve espelho no país vizinho, entre golpes de direita e reações de forças de esquerda. No entanto, ao contrário do Brasil, a partir de 1964 a Venezuela, em resultado da liderança de Romulo Betancourt e dos grupos que o apoiavam, passou a viver um longevo período democrático que atravessou as décadas de ditaduras prevalecentes no Cone Sul e chegou aos dias de hoje. Na década de 1960, a chamada Doutrina Betancourt orientou o afastamento da Venezuela de países que violavam direitos humanos e os princípios democráticos, justamente em um período sombrio em que o continente desabava em abismos de governos militares para quem o desaparecimento de oponentes era política corriqueira.

Foi em 1964, após o golpe militar que instaurou uma ditadura no Brasil, que a Venezuela rompeu relações com seu país vizinho. Embora as relações tenham sido reatadas formalmente dois anos depois, continuaram conturbadas e marcadas por ressentimento de parte a parte por alguns anos. A partir do final dos anos 1960 e início da década seguinte, Brasil e Venezuela voltam a tentar uma articulação, por questões basicamente estratégicas que o corpo diplomático dos dois países passou a priorizar. Questões prementes relativas a Amazônia, crise energética e dívida externa passaram a ser discutidas no espaço diplomático. O diálogo continuou de forma consistente ao longo das décadas seguintes, em que pontos sobre fronteira, crises envolvendo povos indígenas, presença do garimpo e, já na década de 1980 e 1990, democracia e justiça social passaram a fazer parte da agenda comum dos dois países.

O ano de 1979 pode ser considerado um divisor de águas no relacionamento entre Brasil e Venezuela, pelo aumento pela quantidade de acordos e tratados estabelecidos desde então e até 2016: “No decorrer de 120 anos de relacionamento entre os dois Estados (1859-1978), tomando como marco inicial o Tratado de Limites e Navegação Fluvial de 1859, apenas 16 atos

foram firmados (entre tratados, acordos, ajustes complementares, protocolos, memorandos, etc.). Em contrapartida, pode-se observar no período que engloba as três décadas subsequentes (1979-2009) o estabelecimento de 71 atos, um número quatro vezes maior em um período de tempo quatro vezes menor.”[Tiago Nunes] Esta aproximação ocorreu em grande parte como resultado de alterações no cenário político internacional e na economia mundial: endividamento externo e inflação no Terceiro Mundo e distensão na Guerra Fria, o que acentuou as percepções regionais de possibilidades e fragilidades do sistema internacional.

A despeito das diferenças extremas entre o governo militar de João Figueiredo (1979-1985) no Brasil e Luís Herrera Campíns, presidente de uma Venezuela que se apresentava ao mundo como paladino da democracia e defensora dos direitos humanos, foi no primeiro ano de governo do presidente brasileiro que este período de intensa colaboração teve início. O filme aqui exibido mostra uma visita de João Figueiredo a Caracas, capital venezuelana, em 1979.

BR_RJANRIO_NL_0_FIL_001. Fundo Empresa Brasileira de Notícias.

 https://www.youtube.com/watch?v=L3gYz80EOlc&t=479s

 

Galvão, T. G. (2011). Brasil-Venezuela: uma parceria relutante?. Mural Internacional, 2(2), 17-22.

Nunes, T. E. (2011). Um panorama histórico das relações Brasil-Venezuela. Conjuntura Austral, 2(6), 49-68.

 

 

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