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Carajás: mineração na floresta

Publicado: Quinta, 10 de Fevereiro de 2022, 14h41 | Última atualização em Quinta, 10 de Fevereiro de 2022, 14h45 | Acessos: 493

Desde o período colonial, o minério de ferro vem sendo explorado no Brasil, embora sem a escala e o dinamismo que a atividade conheceria durante o período republicano. O aperfeiçoamento dos estudos técnicos permitiu identificar depósitos de ferro em diversas regiões, já nas primeiras décadas do século XX, entretanto, a inexistência de vias de transporte conectando as jazidas a portos e centros consumidores impunha obstáculos à sua exploração.

A Companhia Vale do Rio Doce foi fundada em 1 de junho de 1942, pelo presidente Getúlio Vargas, com o objetivo inicial de explorar as jazidas de ferro do estado de Minas Gerais. O minério de ferro brasileiro, matéria-prima estratégica no contexto da Segunda Guerra Mundial, tinha os Estados Unidos e a Inglaterra como compradores assegurados por meio de acordos comerciais. Criada como empresa estatal, teve o governo federal como seu principal acionista até ser privatizada, em 1997.

Na segunda metade dos anos 1960, pesquisas geológicas sistemáticas realizadas na Amazônia Oriental, levaram à descoberta de uma reserva de minério de ferro na Serra dos Carajás, localizada no sul do estado do Pará e considerada uma das maiores do mundo. A exploração econômica da jazida, que contém minério de ferro de alta qualidade lavrado a baixo custo, alçou a Vale, nome adotado pela empresa a partir de 2007, ao patamar das principais mineradoras internacionais. Além do minério de ferro, a existência de outros minerais também foi identificada na região, dando ensejo a extração e comercialização transoceânica de uma ampla gama de matérias-primas.

O sistema operacional instalado para exploração das jazidas situadas na Serra dos Carajás no Pará, em meio à floresta amazônica, incluiu, além da mina propriamente dita, também uma estrada de ferro e um porto. A Estrada de Ferro Carajás, que possui 892 km de extensão e atravessa os estados do Pará e do Maranhão, interliga a jazida ao Porto da Ponta da Madeira, em São Luís/MA, edificado com a finalidade de escoamento da produção para os mercados norte-americano, europeu e japonês.

A atividade de exploração de minérios na Serra dos Carajás estimulou a formação de novos núcleos urbanos nas imediações da Estrada de Ferro Carajás, desacompanhados de infraestrutura de saneamento básico adequada e de outros indicadores sociais que atestam a qualidade de vida da população. Atraiu também, para o corredor da ferrovia, a instalação de usinas siderúrgicas, como a Companhia Siderúrgica Vale do Pindaré, empresa do Grupo Queiroz Galvão; a Viena Siderúrgica; a Gusa Nordeste; a Companhia Siderúrgica do Pará (COSIPAR); e a Camargo Correia Metais, adquirida pela americana Globe Specialty Metais Inc., em 2007. Confluem ainda, para o polo de Carajás, interesses de grandes proprietários rurais e madeireiros.

As políticas públicas e os efeitos ambientais e socioeconômicos das operações de extração e transporte de minérios na região, que engloba o sudeste do estado do Pará e o estado do Maranhão, estão permanentemente sendo postos em causa por sindicatos de trabalhadores rurais e urbanos, associações de moradores, colônias de pescadores, organizações indígenas, comunidades quilombolas e instituições internacionais. Conversão de áreas de floresta à mineração, risco ambiental sistêmico, conflitos de terra, condições de trabalho e concentração demográfica encontram-se entre as questões em disputa.

O filme aqui exibido mostra imagens aéreas da Serra dos Carajás, Pará. O vídeo mostra a fauna e a flora da região, além da extração, estocagem do minério de ferro transportado por ferrovia. Finalmente, o navio sendo carregado de minério no porto de Ponta da Madeira, sem data. Arquivo Nacional. Não há registro de data e a o registro sonoro também não está presente. Fundo Companhia Vale do Rio Doce Sociedade Anônima. Sua continuação pode ser acessada aqui, no canal do Arquivo Nacional no Youtube. BR_RJANRIO_AAA_0_FIL_006

Referências

COMPANHIA VALE DO RIO DOCE (CVRD). In: DICIONÁRIO Histórico Biográfico Brasileiro. Rio de Janeiro: Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas. Disponível em: http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-tematico/companhia-vale-do-rio-doce-cvrd

CONGILIO, Celia Regina; BEZZERA, Rosemayre; MICHELOTTI, Fernando (Orgs.). Mineração, trabalho e conflitos amazônicos no sudeste do Pará. Marabá, Para: iGuana, 2019

 

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