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Testamento de Hitler

Publicado: Terça, 01 de Setembro de 2020, 13h08 | Última atualização em Terça, 01 de Setembro de 2020, 13h11 | Acessos: 166

O Arquivo Nacional, além de guardar e dar acesso ao público à documentação pública acumulada pelo governo brasileiro ao longo da história do país, guarda também documentos de origem privada que são de interesse público. Essa documentação pode ser de empresas como a extinta TV Tupi e o antigo jornal Correio da Manhã, mas também de pessoas que ao longo de sua vida acumularam um acervo que conta muito sobre a história e a memória nacionais.

O documento acima faz parte do acervo do fundo "Bernardo Fernandes de Brito", morador de Nova Friburgo (RJ) que guardou recortes e exemplares dos jornais O Globo, Jornal dos Sports, Jornal do Comércio, Correio da Manhã, Diário de Notícias, A Noite e Jornal do Brasil, entre os anos de 1939 e 1960, com destaque para a 2ª Guerra Mundial e a Copa do Mundo de Futebol de 1950.

Este recorte que trazemos hoje é do jornal Diário de Notícias, do Rio de Janeiro, edição de 1º de janeiro de 1946. O mundo terminava de passar pelo trauma da Segunda Guerra Mundial. Acabava de se encerrar o brutal conflito que perdurou longos seis anos, levando à morte de dezenas de milhões de pessoas.

Os números variam, com alguns pesquisadores estimando cerca de 50 milhões de vítimas fatais, enquanto outros chegam ao cálculo de 80 milhões de mortes. Mais da metade, civis. O país que mais sofreu, em números absolutos, foi a União Soviética, que teve mais de 25 milhões de vítimas. A Polônia perdeu seis milhões, que correspondeu a 17% do total de sua população. Vítimas do nazismo, milhões de judeus, negros, ciganos, deficientes físicos e outros grupos foram chacinados pela política genocida do Estado alemão e de seus aliados. Na Ásia, a China foi o país com mais baixas, tendo mais de 13 milhões de vítimas fatais na luta contra o imperialismo japonês.

Voltando ao trecho de jornal, cabe informar ao leitor de que o Diário de Notícias trazia notícias traduzidas de jornais europeus e outras vezes escritas especialmente por jornalistas que trabalhavam como correspondentes internacionais. Essa coluna, escrita por George Gretton, fala sobre um suposto "testamento de Hitler", escrito pelo líder nazista pouco antes de assumir a derrota e se suicidar, conforme contam as informações oficiais.

O chefe do III Reich teria escrito sentimentalidades a respeito de sua família e amigos e também feito críticas e elogios a quem esteve com ele ao longo da guerra. O jornal relata a irritação de Hitler com Hermann Goering, chefe da Luftwaffe, a Força Aérea alemã, pela incapacidade dele em proteger as cidades do país dos bombardeios dos aliados e, principalmente, por entender que Goering destinou mais esforços para acumular riquezas, em especial obras de arte roubadas dos judeus, do que em exercer sua função enquanto militar.

Outro alvo da fúria de Hilter foi Heinrich Himmler, um dos homens mais poderosos da Alemanha nazista, Comandandante do Exército da Reserva e responsável pela administração militar do Reich. Ele foi o responsável pela organização dos campos de concentração, onde morreram mais de 10 milhões de pessoas: judeus, ciganos, polacos, soviéticos, entre outros. Ao final da guerra, quando percebeu que a derrota era certa, Himmler tentou executar acordos de paz com os Aliados sem o consentimento de Hitler.

Pelas razões supracitadas, Hitler acabou por expulsar Himmler e Goering do partido, assim como os afastar de seus cargos e funções nas forças armadas alemãs.

A coluna termina dizendo da necessidade de se impedir o retorno do nazi-fascismo e de qualquer legado de Hitler em tempos futuros. Uma frase de Goebbels, ministro da Propaganda do nazismo, é lembrada como um sinal de alerta para a humanidade: "não é preciso que estejamos vivos para influenciar o futuro de nosso povo".

Que hoje, em 2020, a humanidade esteja atenta para os perigos e as catástrofes que já foram causadas pelo nazi-fascismo, a fim de que as tragédias do passado não voltem a se repetir. Convidamos você, nosso leitor, a fazer a leitura desse recorte de jornal, de 74 anos atrás, a fim de mergulhar nesse fato histórico que marcou a humanidade.

 

OBS: O documento pode ser consultado no acervo do Arquivo Nacional no fundo Bernardo Fernandes de Brito, código 2A, especificamente pela notação BR_RJANRIO_2A_CX_5_Diário_de_Notícias_01_01_1946_004de006

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