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O Centenário em 1922

Publicado: Terça, 14 de Setembro de 2021, 17h28 | Última atualização em Quinta, 02 de Dezembro de 2021, 17h11 | Acessos: 393

 

O ano de 2022 marcará o bicentenário da independência política formal do Brasil em relação a sua metrópole europeia, Portugal. Ao longo destes 200 anos o Estado brasileiro consolidou-se, mal ou bem, garantiu suas fronteiras (estáveis desde os primeiros anos do século XX) e testemunhou o desenvolvimento de uma identidade nacional brasileira.

Nenhum destes processos é linear, e não há um padrão correto para avaliarmos sua existência. Processos políticos apresentam uma complexidade profunda que muitas vezes resulta em surpresas desconcertantes no nosso cenário político. As instituições nacionais desenvolvem-se entre idas e vindas, altos e baixos. E a formação da identidade nacional é um processo sem fim.

Para discutir o que a independência do Brasil significou em diversos momentos ao longo do período republicano inauguramos hoje essa seção especial Independência. Também apresentaremos alguns pontos relativos às relações entre Brasil e Portugal ao longo do século XX.

Em 1922 a República comemorou o Centenário em grande estilo. Inaugurada em 7 de setembro de 1922, a Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil permaneceu aberta até junho do ano seguinte. Naquela época, e desde o final do século anterior, grandes feiras internacionais ocorriam nas principais cidades do mundo, que exibiam orgulhosamente novidades tecnológicas, inauguravam imponentes estruturas na paisagem urbana (a notória Torre Eiffel integrou a Exposição Universal de 1889), além de incentivarem o turismo e o comércio entre os países. A Exposição do Centenário começou a ser financiada e organizada  em 1920, tendo a frente o Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, então chefiado pelo engenheiro João Pires do Rio. O presidente Epitácio Pessoa indicou o engenheiro Carlos Sampaio para liderar as obras de saneamento e embelezamento da então Capital Federal, o Rio de Janeiro.

Os pavilhões ocuparam parte do centro da cidade, e o arrasamento do Morro do Castelo (no coração da cidade, origem da mesma e local de fundação do seu núcleo populacional) começou a partir da decisão de alocar a parte nacional da exposição entre o antigo Arsenal de Guerra e o novo mercado, estendendo-se em parte da área conquistada ao mar com o desmonte do morro do Castelo. A parte internacional ocupou terrenos entre o Arsenal e o Palácio Monroe, localizado na Cinelândia. Das 15 construções erguidas para o evento, sobraram apenas o pavilhão da Administração (Museu da Imagem e do Som); o palácio da França (Academia Brasileira de Letras); o palácio das Indústrias (Museu Histórico Nacional); e o pavilhão de Estatística (órgão do Ministério da Saúde).

A exposição exibiu o que havia de mais moderno em termos de ciência, tecnologia, conhecimento, cultura, e foi a primeira a ocorrer depois da Primeira Guerra Mundial. A primeira transmissão de rádio no Brasil ocorreu justamente durante a inauguração da Exposição do Centenário, com o discurso do presidente Epitácio Pessoa. Atraiu um grande número de visitantes, do Brasil e também de outros países, que além dos pavilhões frequentavam o parque de diversões instalado na cidade. 

O ano de 1922 não foi só de festa cívica. O levante militar de 1922 expunha as fragilidades das alianças políticas tradicionais e o esgotamento do modelo republicano inaugurado em 1889, e a fundação do Partido Comunista no Brasil mostrava que o proletariado urbano e os pobres das nossas cidades já constituíam um grupo expressivo e cada vez mais importante na arena política. Não é de se estranhar, portanto que o então presidente da República Epitácio Pessoa tenha utilizado o Centenário e a Exposição Internacional como forma de melhorar seu prestígio e alimentar um patriotismo oficial que tradicionalmente escamoteia as discussões mais prementes acerca dos problemas enfrentados pela população.

Abrindo esta matéria, famoso cartaz da Exposição de 1922 (RJANRIO_1I_0_CAR_0032, fundo Comissão Executiva da Comemoração do Centenário da Independência); o mapa pertence ao fundo Francisco Bhering (Carta geográfica do Brasil em comemoração do primeiro centenário da Independência, RJANRIO_F4_0_MAP_0561_d0001de0001). Já a folha com as especificações da medalha comemorativa do Centenário da Independência foi encontrada solta em um pacote do fundo Caixas Diversas SDH: 2H.0.0.494

 

SANTOS, A. A. (2010). Terra encantada–A ciência na exposição do centenário da Independência do Brasil (Doctoral dissertation, UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO).

Sant'Ana, T. R. D. S. D. (2008). A Exposição Internacional do Centenário da Independência: Modernidade e Política no Rio de Janeiro do início dos anos 1920.

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