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Ministério da Guerra

Publicado: Quinta, 20 de Agosto de 2020, 12h32 | Última atualização em Quinta, 20 de Agosto de 2020, 12h36 | Acessos: 207

Comissão de Fronteiras

O fundo Ministério da Guerra possui documentação que cobre quase 250 anos de história, desde os tempos de Brasil-colônia, quando a Secretaria  de  Estado  dos  Negócios  Estrangeiros  e  da  Guerra de Portugal era responsável pela nomeação de ministros para o serviço no estrangeiro, atuando também em diversas instâncias ligadas às relações entre Portugal e as demais nações europeias, e entre Portugal e suas colônias. A Secretaria foi transferida para o Brasil com a vinda da família real em 1808. Em 1891 a Secretaria dos Negócios da Guerra (denominação utilizada por todo o período do Império do Brasil) passou a denominar-se Ministério da Guerra.

Naquela época, por motivos óbvios não existia ainda a aeronáutica dentro das forças armadas, que se resumiam a exército e marinha. O Ministério da Guerra basicamente representava o domínio do exército, que a partir da Guerra do Paraguai passou a desempenhar um papel político decisivo para os rumos do país. A própria proclamação da República em 1889 foi um golpe de estado militar, uma quartelada que manteve o povo à distância de qualquer movimentação relevante e logrou adiantar-se às forças políticas tradicionais da época que, embora debatessem os caminhos a tomar rumo a nova forma de estado, falharam em alcançar a articulação e mobilização necessárias para fazê-lo.

O protagonismo do exército no movimento que inaugurou a República brasileira refletiu-se em medidas tomadas no governo Deodoro da Fonseca (1889-1892): aumento do número dos corpos de artilharia, cavalaria e infantaria, elevação dos soldos, por exemplo. Foi também a primeira constituição republicana que determinou a obrigatoriedade do serviço militar, que no entanto só foi regulamentada no século seguinte. O nome da secretaria também foi alterado e ela passou a se chamar simplesmente Ministério da Guerra.

Apesar da forte presença política (os dois primeiros presidentes eram militares) o exército continuou a sofrer com escassez de pessoal e de recursos, e nos primeiros anos da República teve que enfrentar desafios como a Guerra de Canudos na Bahia e a Revolução Federalista do Rio Grande do Sul. O envolvimento em ambos os eventos (em especial, Canudos) foi inábil – para dizer o mínimo - e acabou por custar milhares de vidas.

A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) expôs a necessidade de se modernizar o exército brasileiro, o que começou a ser feito em 1915, com reformas administrativas e políticas que visavam inclusive diminuir a dependência em relação a indústria bélica estrangeira. Apesar da preocupação com a dependência externa, nos anos 1920 o país contratou uma missão francesa para auxiliar a reformulação do exército, renovando a instituição do ponto de vista de treinamento e organização. Foi também nos anos 1920 que militares novamente ganharam destaque no cenário político com o movimento tenentista, peça central nos acontecimentos que culminariam no golpe de 1930 que alçou Getúlio Vargas ao poder.

A Segunda Guerra Mundial veio influenciar os rumos tomados pelas forças armadas, já que a influência francesa daria lugar à americana, resultado de acordos militares que levaram o Brasil a se envolver na guerra ao lado das forças aliadas aos EUA. Esta influência traria, além de alterações na organização das três instituições, um direcionamento político afinado com o ambiente de guerra fria que dominaria o pós-guerra, intensamente alinhado com os interesses norte-americanos e avesso a democracia e aos governos populares no Brasil.

Em 1964 mais uma vez um golpe militar muda os rumos da política nacional. Desta vez, as três forças armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) articulam-se com setores das classes médias e o empresariado para derrubar João Goulart e instaurar 21 anos de ditadura militar. Em 1967 o Ministério da Guerra se transforma em Ministério do Exército.

O fundo Ministério da Guerra é formado por documentação recolhida pelo próprio órgão desde 1850, apresentando mapas, documentação escrita e fotografias.

Em relação aos mapas, alguns exemplos do período republicano são plantas de presídios militares, levantamentos geológicos, projetos de instalações militares, entre outros. A documentação escrita reúne ofícios, correspondências, ordens do dia, manuais e registros diversos do funcionamento e atuação do exército de todo o período.

A imagem que ilustra essa matéria encontra-se no álbum relativo a Comissão de Inspeção de Fronteiras do Marechal Rondon, especificamente a campanha realizada no final da década de 1920. A foto de introdução registra um desfiladeiro ao longo do Rio Negro, no estado do Amazonas. A Comissão, criada no governo Washington Luis, visitou as fronteiras brasileiras de norte a sul, sob o comando do Marechal Cândido Rondon, com o objetivo de conhecer melhor nossos limites para melhor preservá-los e defende-los. 

O fundo encontra-se organizado; a documentação cartográfica pode ser consultada aqui

CARVALHO, José Murilo de. Forças Armadas e Política no Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2006.

CASTRO, Celso. Exército e nação: estudos sobre a história do Exército Brasileiro. Editora FGV, 2015.

RICCI, ANGÉLICA. Verbete MAPA – Arquivo Nacional. http://mapa.an.gov.br/index.php/component/content/article?id=529

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