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Fotografias tridimensionais

Publicado: Sexta, 01 de Fevereiro de 2019, 17h54 | Última atualização em Quinta, 12 de Setembro de 2019, 14h45 | Acessos: 2131

 

Avenida Central. Anônimo. Rio de Janeiro, c.1900. Coleção Fotografias Avulsas. BR RJANRIO O2.FOT.520.1
Avenida Central. Anônimo. Rio de Janeiro, c.1900. Coleção Fotografias Avulsas. BR RJANRIO O2.FOT.520.1

 

 

Já ouviram falar em fotografia esteroscópica? O par de imagens acima, que reproduz visões ligeiramente diferentes de uma mesma cena – no caso, a recém aberta Avenida Central –, é um estereograma, um das principais meios de propagação da fotografia, sobretudo na virada do século XIX para o século XX.   

Obtidos através de uma câmera com duas lentes separadas entre si por cerca de 6,3 cm – a distância média que separa os olhos humanos –, esses pares de imagens eram vistos, simultaneamente, com o auxílio de um visor binocular (aparelhos esteroscópicos) que superpunha as duas imagens bidimensionais dando uma ilusão de tridimensionalidade (VASQUEZ, 2002). A técnica foi apresentada ao público em 1851, durante a Exposição Universal de Londres, por David Brewsted e logo introduzida no Brasil. O fotógrafo alemão Revert Henrique Klumb foi pioneiro no desenvolvimento da técnica no país, documentando, ainda na década de 1850, a cidade do Rio de Janeiro e a família imperial.

A república recém-proclamada também utilizou-se da fotografia para produzir e divulgar uma nova imagem do Brasil associada, sobretudo, à civilização, ao progresso material e à modernidade.  O processo de urbanização da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, foi amplamente registrado por fotografias, utilizadas como instrumento de comunicação de massas, disseminando os signos da nova ordem.

A fotografia tridimensional era um dos símbolos dessa modernidade e logo se popularizou. Famílias mantinham em suas salas de visita os aparelhos esteroscópicos e as caixas ou coleções de vistas, uma nova forma de lazer a partir da espetacularização do ato de ver. Extensas coleções de estereogramas foram produzidas, distribuídas e comercializadas, muitas vezes com uma finalidade propagandística, como no caso da marca de cigarros Veado, de propriedade do conde de Agrolongo, que oferecia pequenas fotografias estereoscópicas (2,5 x 7 cm) em seus maços, muitas das quais de sua própria autoria (PARENTE, 1999).

Na esteira do conde de Agrolongo, uma série de cartões esteroscópicos de autores desconhecidos foi organizada pela tipografia Rodrigues & Co, tendo como tema a capital da República na virada do século. No formato internacional de 9 x 18 cm, os estereogramas fizeram parte de campanhas publicitárias de empresas nacionais que ofertavam aos seus clientes as fotografias (PESSANHA, 1991).

O Arquivo Nacional guarda em seu acervo estereogramas do final do século XIX e início do XX em diferentes fundos. Na coleção Fotografias Avulsas (O2), por exemplo, estão preservados exemplares da série editada pela Rodrigues & Co, entre outras. São cerca de 120 fotografias binoculares que retratam vistas da cidade e suas adjacências; as novas construções da capital, vitrine do Brasil, e aspectos da Exposição Nacional de 1908 que pretendeu mostrar o progresso, a ciência e a técnica alcançados pelo país. O fundo encontra-se totalmente organizado e pode ser consultado através do SIAN (Sistema de Informações do Arquivo Nacional).

 

 

Vista do alto do Corcovado. Rodrigues & Co. Rio de Janeiro, c.1900. Coleção Fotografias Avulsas. BR RJANRIO O2.FOT.444.40

 

 

Bibliografia e sugestões de leitura:

KOSSOY, Boris. Dicionário histórico-fotográfico brasileiro. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002.

PARENTE, José Inácio. A esteroscopia no Brasil.  Rio de Janeiro: Sextante, 1999.

PESSANHA, Maria Edith de Araújo. A esteroscopia: o mundo em terceira dimensão. Rio de Janeiro: M. E. A. Pessanha, 1991.

VASQUEZ, Pedro Karp. A fotografia no Império. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002. 

 

 

 

 

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