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Futebol, paixão e política

Publicado: Terça, 08 de Junho de 2021, 14h27 | Última atualização em Quinta, 08 de Julho de 2021, 20h43 | Acessos: 677

Não é de hoje que o esporte, em especial o futebol, entra na agenda oficial dos presidentes do Brasil. Na construção do Maracanã e na própria Copa de 1950, o presidente Eurico Dutra lá estava junto com outras autoridades nacionais, estaduais e municipais. Quando o país ganhou sua primeira Copa do Mundo, Juscelino Kubitschek acompanhou ao lado de jornalistas e políticos a finalíssima, através do rádio, durante as obras de Brasília. Quatro anos depois, o presidente João Goulart recebeu a seleção campeã de 1962, fato que se repetiria nas conquistas seguintes.

Estariam eles utilizando o futebol, que é uma paixão nacional, para conseguir popularidade? Ou apenas exercendo formalmente, como líderes políticos, a ação de apoiar a seleção?

Durante os períodos ditatoriais, a polêmica aumenta ainda mais. Diversas pesquisas já mostraram o uso da Olimpíada de 1936, em Berlim, pelos nazistas para tentar comprovar a absurda superioridade da raça ariana que defendiam. A Copa do Mundo de 1978, na Argentina, é outro exemplo que a historiografia daquele país mostra como uma forma de fazer propaganda do governo em um momento de intensa repressão e violência. E muitos outros exemplos podem ser citados ao longo do século XX.

Aqui no Brasil a produção historiográfica mostra que durante a Copa de 1970, ocorrida no México, a brilhante seleção nacional do nosso país, com grandes craques, acompanhada com satisfação pela população brasileira, ganhou bordões e músicas baseados na propaganda nacionalista do governo que, no auge da repressão, utilizou o “Pra frente, Brasil! Salve a seleção!” para tentar criar um ambiente positivo em meio aos graves problemas vividos.

A imagem que trouxemos (BR_RJANRIO_PH_0_FOT_38422_467, Correio da Manhã) mostra a despedida de Pelé da seleção brasileira. O maior jogador de futebol de todos os tempos, o atleta do século, dizia adeus à seleção nacional em 18 de julho de 1972, sendo ovacionado por 140 mil pessoas no Maracanã, que gritaram em vão “Fica, Pelé!”, emocionando o jogador.

Pelé recebeu homenagens por quase todos os presidentes militares. Viveu seu ápice esportivo durante o período da ditadura. Na imagem abaixo (BR_RJANRIO_EH_0_FOT_PRP_08521_d0003de0006),  a seleção levada por João Havelange para um encontro com Castelo Branco, em 1965.

 

 

O futebol é uma paixão de milhões de brasileiras e brasileiros. E essa foto traz um momento marcante para o esporte nacional como um todo. O personagem principal é uma lenda mundial.

Afinal, até que ponto os eventos esportivos e culturais, de uma forma geral, servem meramente para diversão e distração e em qual medida são usados para fins políticos? Qual a relação da arte, do esporte, da cultura em geral com o governo de seu respectivo país? A exaltação e premiação de personalidades dessas áreas são somente um justo reconhecimento pelas suas contribuições ou podem ser encarados como um uso político de regimes para garantir apoio popular a governantes?

Queremos a opinião de vocês e, daqui a alguns dias, divulgaremos todo o contexto e falaremos em riqueza de detalhes sobre esta fotografia tão significativa tirada por um dos fotógrafos (de nome não identificado) do jornal Correio da Manhã, cuja documentação se encontra no acervo do Arquivo Nacional.

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