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A devastação ambiental avançou de forma aterradora durante os anos de ditadura militar. E, infelizmente, não parou mais. Embora antes de 1964 o respeito ao meio ambiente e a noção de crescimento sustentável não entrassem na pauta de governo algum (aliás, em lugar nenhum do mundo), foram os projetos desenvolvimentistas dos governos militares que levaram a destruição dos nossos recursos naturais a um novo patamar. Extração intensiva de madeiras por parte de grandes conglomerados internacionais, garimpo (inclusive em terras indígenas) desregulamentado, plantio de monocultura para exportação em áreas de floresta e cerrado, intensificação da concentração fundiária, abertura de estradas a revelia do ambiente e das populações originárias são exemplos do que se disseminou no período.

Na época, havia de fato um baixo nível de conscientização geral em relação a importância de se preservar o meio-ambiente e da finitude dos recursos naturais – para ilustrar, lembremos que o Greenpeace, assim como os vários Partidos Verdes, tiveram sua trajetória iniciada no início da década de 1970. Ainda predominava uma visão segundo a qual o mundo natural deveria ser “domado” e “aproveitado” em prol do enriquecimento material da humanidade.

Um exemplo de como a ditadura queimou e devastou o meio ambiente foi a atuação da montadora Volkswagen na região do Araguaia, onde ela havia comprado (com benefícios oficiais) uma imensa área para estabelecer uma fazenda de gado. Naquela década, e ao longo de anos, os incêndios na área da empresa alemã foram percebidos por satélite e discutidos em fóruns de ciência, transbordando para a imprensa, e não apenas no Brasil. Os governos alemão e brasileiro sabiam do que estava acontecendo, que a Volkswagen desmatava uma área gigantesca na base de incêndios “controlados.” A empresa chamava outros grandes conglomerados a investir na sua produção amazônica, de forma aberta em publicidade na grande mídia.

Durante anos os investimentos públicos e privados devastaram sem pena o interior do Brasil, e com orgulho imagens da destruição da floresta para dar lugar a estradas, projetos de colonização e exploração mineral eram divulgadas como parte da inexorável “marcha para o progresso.” Esse modelo de desenvolvimento certamente se encontra na origem das intensas ondas de calor que experimentamos desde alguns anos. A despeito de mudanças em alguns aspectos deste modelo e principalmente, de uma consciência disseminada acerca dos seus efeitos perversos sobre o ecossistema – do qual o ser humano faz parte -, a predação indiscriminada continua a impor custos elevadíssimos sobre nós.

O anúncio aqui exibido, retirado da antiga revista Manchete de março de 1968 populariza os incentivos do governo, através dos seus bancos e agências (como a SUDENE, Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia); fundo X9 – Informante do Regime Militar [BR_RJANRIO_X9_0_ESI_ACL_0004].

A fotografia pertence ao fundo Agência Nacional e registra a abertura da estrada Transamazônica; Altamira, 1972 [BR RJANRIO EH.0.FOT, EVE.15728]

 

Para ler:

Poerner, Barbara. A agenda ambiental da ditadura militar brasileira. Leia mais em: https://elastica.abril.com.br/especiais/ditadura-brasil-meio-ambiente-destruicao-indigena

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