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Paralisia infantil

Publicado: Quarta, 25 de Novembro de 2020, 11h28 | Última atualização em Terça, 29 de Dezembro de 2020, 14h03 | Acessos: 340

Em agosto de 1921, um advogado norte-americano de 39 anos passava férias a beira mar, preenchendo os dias com banhos de sol e disputas de natação com seus filhos. Um dia, começa a se sentir enjoado e, na manhã seguinte, não consegue mais mexer uma das suas pernas. A doença progrediu rapidamente, e a infecção que se abateu sobre seu corpo, afetando o sistema digestivo, urinário e nervoso quase o levou a morte nas semanas seguintes. Eventualmente diagnosticado com “paralisia infantil”, nome popular da poliomielite, Franklin Delano Roosevelt jamais recuperaria o movimento das pernas, e foi em uma cadeira de rodas que assumiu a Presidência da República dos Estados Unidos em 1933, cargo que ocupou até sua morte em 1945.

A poliomielite é uma infecção causada pelos poliovírus. Como toda doença viral é extremamente contagiosa, e seu vírus causador é um dos mais resistentes. Pode ser contraída através do contato com fezes ou saliva do paciente. Ataca o sistema neurológico, podendo causar paralisia dos movimentos musculares. O período de incubação desta doença varia de 3 a 35 dias. Em geral manifesta-se próximo ao décimo dia após contato com o vírus. Normalmente ele é relativamente inócuo, apresentando poucos sintomas (semelhantes a gripe ou gastrointerite), ou nenhum. Mas cerca de 1% dos infectados pelo vírus pode desenvolver a forma paralítica da doença, que pode levar inclusive à morte. Embora possa ser combatida com ações de saneamento adequado e intensas campanhas de higiene, a única forma eficaz de prevenção a doença é a vacina. Seu nome popular ("paralisia infantil") resulta do fato de se abater de forma mais grave sobre indivíduos na faixa etária até 10 anos de idade.

No Brasil, o último caso de infecção pelo poliovírus selvagem ocorreu em 1989, na cidade de Souza (Paraíba), segundo o Ministério da Saúde. A erradicação da doença resultou de anos de campanhas de vacinação em massa com a chamada VOP (vacina oral contra a pólio), a famosa “gotinha”, apresentada às crianças com o personagem Zé Gotinha, famoso nos anos 1980. Como todas as vacinas, ela imuniza o indivíduo inoculado e aumenta a proteção do seu grupo social, a chamada “imunidade de rebanho” – quanto mais pessoas imunes, menor é a circulação do vírus e das infecções resultantes.

A doença, conhecida no país desde o início do século XX, passou a preocupar de fato as autoridades sanitárias e a população em geral a partir da década de 1950, quando surtos nas grandes cidades deixaram milhares de pessoas doentes, e muitos mortos e paraplégicos. As vacinas começaram a surgir naquela mesma década, resultado de pesquisas desenvolvidas por diferentes cientistas: Hilary Koprowski (American Cyanamid Company), Jonas Salk (Universidade de Pittsburgh/ EUA), e Albert Sabin, criador da vacina oral que passou a ser usada em todo o mundo nos anos 1960, inclusive no Brasil.

Iniciadas em 1980, as campanhas de vacinação em massa permitiram que o país fosse considerado zona livre da doença pela OPAS (Organização Pan-americana de Saúde) em 1994. A vacina integra o Programa Nacional de Imunização.

Em alguns países (Nigéria e Paquistão, por exemplo) ainda há intensa circulação da forma selvagem do vírus, e a doença permanece endêmica.

Atualmente alguns pesquisadores acreditam que Roosevelt na verdade sofria de síndrome de Guillain-Barre. No entanto, o diagnóstico de poliomielite acabou contribuindo para a descoberta da vacina contra a doença, já que chamou a atenção de todo o país e da comunidade científica para a enfermidade que – pensava-se então – deixara o presidente paraplégico.   

Arquivo sonoro: br_rjanrio_sg_0_jin_0108_d0001de0001. Propaganda política do governo Magalhães Pinto referente à saúde no estado de Minas Gerais, incluindo chamado para vacinação contra a paralisia infantil. 1965. Mayrink Veiga.

Relatórios:

br_dfanbsb_v8_mic_gnc_aaa_86055988_d0001de0001. Seminário promovido pelo Ministério da saúde em 1986 com o objetivo de debater formas de erradicação da pólio. Serviço Nacional de Informações.

br_dfanbsb_v8_mic_gnc_aaa_89072192_d0001de0001. Resultados parciais da campanha de vacinação contra pólio de 1989. Serviço Nacional de Informações.

Fotografia:

br_rjanrio_eh_0_fot_eve_15008_d0001de0001. Cartaz da Campanha Nacional de Vacinação contra poliomielite. 1980.

 

Leitura recomendada

CAMPOS, André Luiz Vieira de; NASCIMENTO, Dilene Raimundo do; MARANHAO, Eduardo. A história da poliomielite no Brasil e seu controle por imunização. Hist. cienc. saude-Manguinhos,  Rio de Janeiro ,  v. 10, supl. 2, p. 573-600,    2003 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59702003000500007&lng=en&nrm=iso>. access on  25  Nov.  2020.  https://doi.org/10.1590/S0104-59702003000500007.

https://portal.fiocruz.br/livro/poliomielite-no-brasil-do-reconhecimento-da-doenca-ao-fim-da-transmissao

https://www.bio.fiocruz.br/index.php/br/noticias/1736-salk-versus-sabin-dois-personagen-e-suas-estrategias-contra-a-polio

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