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Do samba ao cinema

Publicado: Segunda, 25 de Fevereiro de 2019, 12h18 | Última atualização em Quinta, 05 de Setembro de 2019, 15h05 | Acessos: 1056

Mário Lago, Jamelão e Braguinha pertenceram a mesma geração de artistas cariocas, nascidos no início do século XX, antes da Primeira Guerra Mundial. Envolvidos com o mundo do samba, companheiros de boemia (em especial Mário Lago e Braguinha), marcaram nossa cultura popular com canções como Saudades da Amélia e Aurora (Mário Lago), Yes, nós temos banana, Pastorinhas e Touradas em Madrid (Braguinha), e Exaltação a Mangueira (Jamelão). Braguinha e Mário Lago chegaram a realizar uma parceira cinematográfica no filme Banana da Terra (1939), estrelando Carmem Miranda. Já José Bispo Clementino dos Santos – o Jamelão – iniciou sua carreira pelas mãos de Carlos Alberto Ferreira Braga – o Braguinha, ou João de Barro. Amantes do Carnaval (Braguinha foi tema de enredo campeão pela Mangueira, da qual Mário Lago era torcedor e Jamelão, puxador oficial) os três músicos atravessaram todo o século XX e viveram para assistir ao alvorecer do novo século.

Mário Lago, nascido em 1911, formou-se em direito por tradição familiar mas acabou não exercendo a profissão. Seu caminho sempre foi ligado a arte: ator, escritor, diretor, radialista,cantor e compositor. Estreia sua primeira peça em 1933 em parceria com Álvaro Pinto: Flores á Cunha, uma peça em estilo teatro de revista carregada de sátira política. No palco, Eva Todor, Oscarito, Aracy Cortes. Em 1935, lança sua primeira marchinha de carnaval, "Menina, Eu Sei de Uma Coisa", com Custódio Mesquita. No início dos anos 1940 sobe ao palco, dando início a sua carreira de ator: foram centenas de filmes, peças, radionovelas e telenovelas em que atuou na frente das câmeras.

Seu ativismo político também marcou sua vida: foi militante comunista desde muito jovem, o que lhe valeu seis prisões, em especial durante as duas ditaduras do século XX – o Estado Novo varguista (1937-1945) e a ditadura militar (1964-1985).

Quando não defendia seus ideais de liberdade e democracia, Mário Lago atuava, escrevia, compunha: mais de 140 canções, incluindo diversas parcerias como Custódio Mesquita, Roberto Martins, Ataulfo Alves, Chocolate. Grandes intérpretes emprestaram sua voz a suas canções, como Aurora Miranda, Orlando Silva, Carlos Galhardo, Francisco Alves, Nelson Gonçalves, Linda Batista, Elizeth Cardoso.

Defendeu com paixão as cores do seu time – o Fluminense -, e dos seus ideais até o fim da sua longa vida.

Após a morte de Mário Lago em 2002 sua família doou extensa documentação ao Arquivo Nacional, abarcando virtualmente todos os campos de atividade nos quais se envolvera: fotografias, entrevistas gravadas, panfletos, scripts, peças datilografadas... A instituição possui uma exposição virtual que apresenta parte deste acervo, que se encontra completamente organizado e disponível para consulta.

BR_RJANRIO_ML_0_APR_FOT_0070       Identificados, da esquerda para a direita: Mário Lago (1º), Jamelão (2º, de chapéu) e Braguinha (3º). Rio de Janeiro, 1995. Fundo Mário Lago.

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