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Apresentando, a jovem Nise da Silveira

Publicado: Quinta, 05 de Março de 2020, 18h37 | Última atualização em Terça, 07 de Abril de 2020, 12h29 | Acessos: 416
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Apresentando, a jovem Nise da Silveira

Em 1928, uma jovem alagoana, formada em Medicina pela Universidade da Bahia (em 1926, fora a única mulher da turma a se formar), era apresentada a Bertha Lutz por uma missiva escrita pelo militar França Veloso, em busca de uma “colocação” na então capital do país. Ambas cientistas, Nise e Bertha foram mulheres que desafiaram as limitações de gênero impostas à época e lutaram por mudanças drásticas na sociedade. Nise da Silveira especializou-se em psiquiatria e viria a ser uma das maiores responsáveis pelas mudanças no tratamento de pacientes mentais no Brasil, rompendo o paradigma de lobotomias e eletrochoques e valorizando a arte, a terapia com animais, a terapia junguiana como forma de buscar a reintegração destes pacientes com suas famílias e na sociedade.

Nascida em 1905, foi pioneira da terapia ocupacional e da luta antimanicomial no Brasil, e chegou a ser presa política na ditadura Vargas por ser comunista. Ironicamente, foi expulsa do Partido Comunista por se alinhar com o posicionamento de Trotsky.

Ingressou no Hospital Psiquiátrico da Praia Vermelha via concurso público, mas acabou expulsa devido a prisão, por motivos políticos e causada por uma denúncia de uma enfermeira, em 1936. Foi readmitida no serviço público apenas em 1944, no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, Engenho de Dentro (atual Instituto Municipal Nise da Silveira). Em 1946, inaugura a Seção de Terapêutica Ocupacional, e é nesta instituição que colocaria em prática suas propostas revolucionárias de tratamento para esquizofrênicos e outros doentes mentais. Em 1949, a primeira exposição oficial, Nove Artistas de Engenho de Dentro, consolida o trabalho da médica e as obras de vários dos seus pacientes (que ela preferia chamar de clientes).

Em 1952 a produção artística dos seus pacientes/ clientes dá origem ao Museu de Imagens do Inconsciente, que encontra-se em pleno funcionamento até os dias de hoje. Seu trabalho _ e as obras dos seus pacientes _ tiveram repercussão internacional e duas exposições são organizadas na década de 1950. Atualmente o Museu é também um centro de pesquisas na área de saúde mental.

Leia o documento na íntegra.

 Imagem

Carta de Brás Paulino da França Veloso apresentando a médica Nise da Silveira que deseja uma colocação no Rio de Janeiro. BR_RJANRIO_Q0_ADM_COR_A928_0039. Data: 1928.

 Leitura recomendada

http://www.museuimagensdoinconsciente.org.br/#historico

CARVALHO, Sonia Maria Marchi de; AMPARO, Pedro Henrique Mendes. Dra.Nise da Silveira: a mãe da humana-idade. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, v. IX, n. 1, p. 126-137, March 2006.

 

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