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Os dois roubos da taça Jules Rimet

Publicado: Terça, 08 de Dezembro de 2020, 16h07 | Última atualização em Terça, 08 de Dezembro de 2020, 16h14 | Acessos: 916

A "Taça do Mundo" é nossa? Os dois roubos da Jules Rimet

 O francês Jules Rimet foi o terceiro presidente da FIFA e o criador da Copa do Mundo, sendo a primeira ocorrida em 1930, quando o anfitrião Uruguai se sagrou campeão mundial ao vencer a Argentina na final. Na época, foi criada uma taça, nomeada "Vitória", que ficaria nas mãos do vencedor até a copa seguinte, que se realizaria quatro anos depois. A regra previa que o primeiro país a vencer a competição por três vezes ficaria com o troféu em definitivo.

Em 1939, uma história repetida por alguns pesquisadores, mas sem comprovação histórica definitiva, detalha que a taça não teria caído nas mãos dos fascistas e nazistas graças a Ottorino Barassi, dirigente futebolístico italiano que a havia retirado de um banco e guardado em uma caixa de sapatos, em sua casa, durante toda a Segunda Guerra Mundial. Ao término do conflito, o troféu foi rebatizado em homenagem ao presidente Rimet, em razão de seus esforços em manter o espírito esportivo vivo mesmo em meio ao caos dos combates.

Pouco antes da Copa de 1966, na Inglaterra, ocorreu mais um capítulo extra-campo da curiosa saga da taça mais importante do futebol mundial: durante uma exposição, às vésperas do início do torneio, ela desapareceu sem deixar rastros. Uma intensa busca mobilizou os ingleses, com participação ativa dos investigadores da famosa polícia Scotland Yard.

Avaliada em 30 mil libras esterlinas, cerca de 200 mil reais no câmbio de 2020, a taça havia sido roubada pelo ex-soldado Edward Betchley, de 46 anos, que pediu um resgate para devolver a preciosidade. Betchley acabou preso, mas não estava com o troféu. Depois de muita procura e tensão, o herói improvável, responsável por recuperar a "taça do mundo", foi o cachorro Pickles, que a farejou em um jardim, enrolada em jornais, num bairro no subúrbio de Londres.

A "Taça do Mundo" era de Pickles e ele ganhou fama, chegando a participar de filmes e comerciais. Porém, como ocorre com outras celebridades, o brilho de Pickles foi intenso, mas efêmero, pois o cachorro morreu cerca de um ano depois.

Por fim, o capítulo final da Taça Jules Rimet acabou ocorrendo em território brasileiro. Em 1970, com um time que encantou o mundo, o Brasil ganhou o tricampeonato mundial e conquistou o direito de ficar com a taça em definitivo. Finalmente, o troféu que passara de mão em mão, visitando nove sedes diferentes e tendo sido obtida temporariamente por seis seleções nacionais distintas, agora era do Brasil, única e exclusivamente do Brasil.

E assim ela ficaria, por 13 anos, número da sorte do técnico Zagallo, maior vencedor da Copa do Mundo – duas, como jogador, e outras duas na comissão técnica - e comandante da seleção brasileira durante a Copa de 1970.

Em 19 de dezembro de 1983, 13 anos e 6 meses depois do gol de Carlos Alberto Torres que completou a vitória de 4 a 1 sobre a Itália e que deu pleno direito ao país sobre a Jules Rimet, ela seria roubada de dentro da sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), à época no centro da cidade do Rio de Janeiro. Além dela, foram levadas também as taças Independência, Panamericana e Equitativa, todas conquistadas pela seleção brasileira de futebol, mas a única de ouro maciço – cerca de três quilos e meio – era a Jules Rimet.

Sete pessoas foram denunciadas, segundo o processo que hoje está no acervo do Arquivo Nacional. O mentor teria sido Sérgio Peralta, que foi delatado por Antonio Setta – conhecido como “Broa” –, um conhecido arrombador que negou ajuda a Peralta por motivos patrióticos: Broa lembrava, emocionado, da vitória sobre a Itália e do falecimento de seu irmão, que teve um infarto fulminante ao ver a taça sendo levantada pelo capitão Carlos Alberto Torres. Assim, rejeitou envolvimento e ainda denunciou Peralta.

O roubo envolveu também policiais, que receberam propina para não prender os envolvidos, e receptadores, entre eles o argentino Juan Carlos Hernandez, ourives responsável pelo derretimento da taça e sua transformação em barras de ouro.

Alguns brasileiros e um argentino, nacionalidades que têm a maior rivalidade mundial na esfera do futebol, estiveram juntos na destruição da Taça Jules Rimet. Era o fim de uma história de 53 anos. A "Taça do Mundo", que era nossa, passou a não ser de ninguém.

Documentos:

BR DFANBSB V8.MIC, GNC.CCC.85012558. Relatório da Polícia Federal referente a investigação da Taça Jules Rimet, apresentando denúncia contra acusados. Novembro de 1985.  Serviço Nacional de Informações.

BR_RJANRIO_PH_0_FOT_00935. Taça Jules Rimet em exibição. S.d. Correio da Manhã.

BR_RJANRIO_PH_0_FOT_01529_001. Taça Jules Rimet, recuperada pela polícia londina em 1966. Correio da Manhã.

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