
A primeira aventura no campo do registro de imagens através da luz – o que depois se tornou conhecido por fotografia – registrou o pedaço de uma paisagem urbana. A fotografia dos telhados de um bairro em Paris foi realizada por Joseph Niepce – que a chamou “heliografia” - em 1826 e marcou o início da trajetória de uma técnica que se transformou em arte, mostrando-se ao longo dos dois últimos séculos um dispositivo crucial para compreender, influenciar e registrar nosso mundo.
A atual capital do estado do Amazonas foi fundada a partir do Forte São José da Barra do Rio Negro, em 1669. Capital da borracha no final do século XIX e início do XX, Manaus experimentou um processo de crescimento – populacional e geográfico – que transformou a cidade acanhada, de ruas de terra e edifícios modestos em uma cidade moderna, digna das capitais europeias – ou era assim apresentada. O fato é que o enriquecimento via produção e exportação de borracha trouxe imigrantes de outras regiões do Brasil, das Américas e mesmo da Europa. A cidade ganhou serviço de bondes, energia elétrica, água encanada e melhorias significativas no porto, além de praças, jardins e equipamentos culturais sofisticados, como o Teatro de Manaus e a Biblioteca Pública.

Outro momento marcante para a capital do Amazonas ocorreu na década de 1960, com a implantação da Zona Franca de Manaus pelo decreto-lei 288, que propunha a criação de um parque industrial, agropecuário e comercial na região. Administrado pela SUFRAMA (Superintendência da Zona Franca de Manaus), A Zona atualmente abriga cerca de 600 empresas, e ao longo dos anos passou por momentos de maior e menor expansão e lucratividade. As críticas em relação ao projeto costumam se concentrar na incapacidade de a zona funcionar como polo dinamizador e inovador, principalmente em função da sua dependência de benefícios fiscais.
Localizada às margens dos rios Negro e Solimões, Manaus atualmente conta com cerca de 2 milhões e 300 mil habitantes. As fotografias desta matéria encontram-se em um álbum que registrou a viagem do então presidente da República Afonso Pena à cidade, em 1906, que se encontra no acervo do Arquivo Nacional, no fundo de mesmo nome do presidente. Marcos di Panigai, autor do trabalho, foi um fotógrafo italiano que viveu em Manaus durante vários anos.
BR_RJANRIO_ON_0_FOT_00060; ano de 1906, fundo Afonso Pena.
Siqueira, T. D. A. (2024). MANAUS: 355 ANOS DE HISTÓRIA, FUNDAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. BIUS-Boletim Informativo Unimotrisaúde em Sociogerontologia, 49(43), 1-21.
https://exposicoesvirtuais.an.gov.br/index.php/galerias/10-exposicoes/380-pontos-de-vista-fotografia-e-cidade-em-%C3%A1lbuns-do-arquivo-nacional.html