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“Entre o pecado pela beleza e a vitude pela mediocridade não hesite: abrace apaixonadamente o primeiro.”

A frase acima integra um artigo do jornalista e cineasta paulista radicado no Mato Grosso e depois, Pará Líbero Luxardo, nascido em 1908 em Sorocaba. Publicado em 1941 na revista Novidade, de Belém do Pará, o artigo causou revolta entre famílias tradicionais da cidade que, através da Cruzada Juvenil da Boa Imprensa, denunciou o caso ao então ministro da guerra Gaspar Dutra, requisitando que a mesma fosse encaminhada ao Tribunal de Segurança Nacional (TSN), por atentado contra a família legalmente estabelecida no país. O ofensivo texto incitava as mulheres e trabalharem para serem independentes, e a amar sem reservas ou regras: “seja independente. E depois ame. Com quem você quiser, quando quiser, como quiser.”

A denúncia foi encaminhada, e o processo, aberto. Ao longo das mais de 200 páginas da apelação, Luzardo se defende apresentando seu trabalho como jornalista e cineasta patriota e pioneiro. Páginas de uma das publicações com a qual colaborava – de fato, a própria Novidade – nos dão uma pista do seu trabalho, pioneiro ao filmar no interior da região norte, como por exemplo Retirada da Laguna/ Alma do Brasil (1932),  filmado no Pantanal de Mato Grosso, e Aruanã (1938),  filmado às margens do rio das Mortes.

Luzardo se muda de Campo Grande (MT) para Belém (PA) em 1940, onde desenvolve documentários e reportagens sobre questões locais, com atores e técnicos locais, e também realizou os primeiros longa-metragens filmados no estado. Seu legado se encontra no Museu da Imagem e do Som do Pará.

Além de expor a hipocrisia da "sociedade de bem" em seus textos e poemas, Luzardo também publicou fotografias de suas incursões pelo interior do Brasil nas páginas das publicações que constam no inquérito aqui apresentado. O nacionalismo exótico inculcado nos filmes de Luzardo reverberavam o projeto varguista de uma busca e construção – domadas – de uma real identidade brasileira.

BR_RJANRIO_C8_0_APL_0874. Fundo Tribunal de Segurança Nacional, 1941.

Costa, D. M. D. (2023). Caçando Feras em aruanã pela" alma" do Brasil: Líbero Luxardo e as imagens do Pantanal (1930-1940). Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de São Paulo.

Lobato, A. (2015). Líbero Luxardo e a produção de cinejornais no Pará nas décadas de 1940 e1950. Significação: revista de cultura audiovisual42(44), 294-317.

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