
Quando nos referimos à matriz energética de um país, estamos nos referindo a todas as fontes de energia em uso, incluindo a geração de energia elétrica. Das fontes utilizadas para alimentar veículos e motores, tomar banho quente em casa (a gás ou não), como insumo industrial.
A matriz energética brasileira apresenta um percentual de cerca de 50% de participação das fontes renováveis (hidrelétrica, biomassa, eólica, solar) na oferta interna de energia – em contraste com uma média global que não chega a 15%. O Relatório Síntese do Balanço Energético Nacional 2021, da EPE (Empresa de Pesquisa Energética, do governo federal), revela que as fontes renováveis presentes da matriz energética brasileira vêm se diversificando: biomassa de cana (19,1%), hidráulica (12,6%), lenha e carvão vegetal (8,9%) e outras renováveis (7,7%). Já as não renováveis são petróleo e derivados (33,1%), gás natural (11,8%), carvão mineral (4,9%), urânio (1,3%) e outras (0,6%).

Em 2024, pela primeira vez o uso de energia renovável superou o de não renováveis, chegando a representar 51% da matriz energética nacional.
O avanço das fontes eólica e solar na geração de energia, assim como o crescimento da oferta de biomassa de cana e biodiesel contribuíram acentuadamente para a diversificação do setor e, por conseguinte, para um futuro em que a geração e distribuição de energia serão mais estáveis, por dependerem menos de uma única fonte – no caso brasileiro, as hidrelétricas. Segundo o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2033, o Brasil deve continuar a reduzir sua dependência das hidrelétricas, com previsão de que, até 2033, menos de 45% da energia elétrica será gerada por essa fonte.

As hidrelétricas, dominantes ao longo de todo o século XX, começaram sua história no Brasil em 1899, com a inauguração da Usina Hidrelétrica de Marmelos (primeira na América do Sul), em Minas Gerais. Ao longo dos anos, o carvão e o querosene foram dando lugar à energia elétrica produzida nas usinas, e a partir dos anos 1960 a participação do Estado na sua geração e distribuição passou a ser dominante, inclusive com encampação de empresas privadas (como a Light, de fornecimento de energia elétrica), transferidas para o setor público, e a criação da Eletrobrás (1962), apontando para a opção estatizante de um setor considerado crucial para o desenvolvimento do Brasil. O processo começou a ser revertido a partir dos anos 1990, com o desmantelamento das empresas do setor e a venda dos seus ativos.

A energia nuclear responde por apenas 2% da produção de energia elétrica no Brasil, geradas nas Usinas Angra I e Angra II (que utilizam urânio, minério extraído no Brasil), no estado do Rio de Janeiro. Os derivados de petróleo, gás natural, carvão mineral – fontes não renováveis e extremamente poluentes – ainda formam parcela considerável da nossa matriz energética. Em 2024, o total de emissões associadas à matriz energética brasileira atingiu 431,3 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (Mt CO2 eq), sendo a maior parte (214,3 Mt CO2 eq) gerada no setor de transportes.
Comparativamente falando, a matriz energética brasileira se diferencia por ter elevada proporção e diversidade de fontes renováveis e limpas. Esse perfil de produção e consumo de energia contribui e serve de modelo para a redução dos gases do efeito estufa e, por conseguinte, para o enfrentamento às mudanças climáticas. Necessariamente a discussão em torno de sustentabilidade precisa envolver a matriz energética – mas não apenas no sentido de serem limpas e renováveis, mas também se sua implementação afeta o meio ambiente – crucial para as chamadas fazendas de vento e as hidrelétricas – e os povos instalados. A discussão transparente acerca da produção e do uso da energia é imprescindível em uma sociedade democrática.
No Arquivo Nacional, extensa documentação sobre nossas fontes de energia registra as transformações pelas quais passou o país. Podemos destacar os fundos Assessoria de Segurança e Informações da Eletrobrás (Centrais Elétricas Brasileiras Sociedade Anônima); Paulo de Assis Ribeiro; Agência Nacional; Secretaria de Assessoramento da Defesa Nacional da Presidência da República; Conselho de Segurança Nacional; Serviço Nacional de Informações; Divisão de Informações da Petróleo Brasileiro Sociedade Anônima ; registros iconográficos/ filmográficos na Agência Nacional, Correio da Manhã, IBASE, Diretoria de Telecomunicações da Secretaria de Administração da Casa Civil da Presidência da República, Instituto do Açúcar e do Álcool, Comissão Nacional de Energia Nuclear.
https://energiaeambiente.org.br/maior-participacao-de-renovaveis-em-35-anos-20250321
As imagens foram retiradas do fundo IBASE, BR RJANRIO HA.0.ICN.23 (1985)