
A Organização Revolucionária Marxista — Política Operária (ORM-Polop) nasceu em Jundiaí (SP) em 1961 como uma alternativa ao Partido Comunista. Seu método de ação baseava-se na proposta “estudar (a teoria revolucionária e marxista), propagar (entre a classe trabalhadora) e organizar (a classe operária para que pudesse atuar em prol dos seus interesses)”. A organização propunha a construção de um caminho rumo à revolução que levasse em conta as peculiaridades das nações latino-americanas em um contexto de capitalismo dependente, submisso ao capital norte-americano e profundamente desigual, mantido apenas à força de ditaduras. Moniz Bandeira, Vânia Bambirra, Nilmário Miranda, Carlos Tibúrcio e Otavino Alves da Silva — além da secundarista Dilma Vana Rousseff — são alguns nomes ligados à Polop, que depois do golpe de 1964 acabou optando pela luta armada, buscando ainda manter a penetração no movimento operário.
A matéria aqui em destaque foi retirada da edição de 4 janeiro/ fevereiro de 1964 do jornal Política Operária, publicação mais relevante da Polop. O município baiano de Cruz das Almas serve como exemplo da exploração cruel e ilegal dos trabalhadores do campo, através – entre outros mecanismos – do chamado oligopsônio, uma estrutura de mercado em que há poucos compradores e um número grande de produtores. No caso em questão, os grandes latifundiários, donos de armazéns e de formas de escoamento da produção, impõem ao pequeno produtor de tabaco preços baixos e condições abusivas.

O oligopsônio – assim como a exploração do pequeno produtor rural - não é uma exclusividade do interior da Bahia dos anos 1960. Ele domina alguns setores da economia, e não só no Brasil, com tendência a surgir em especial no agronegócio ou na produção de insumos (commodities). No campo, a perecibilidade de alimentos é um dos pilares dessa estrutura de mercado, já que alimentos frescos em geral não podem ser estocados muito tempo e precisam de rápido escoamento para o consumidor final, originando maior pressa em vender a produção. Além disso, apenas grandes corporações conseguem manter uma estrutura logística que permite o transporte a distribuição desses produtos. O oligopsônio é comum também no mercado de carnes em geral e laticínios, em que grandes frigoríficos e empresas de processamento dominam e controlam a dinâmica de preços.
O Arquivo Nacional guarda o fundo documental da Polop. Nele podemos encontrar a publicação mais relevante da Polop, o Política Operária, publicado por quase 2 décadas desde 1962.
BR_RJANRIO_F3_0_0_0008_d0001de0001: JORNAL POLÍTICA OPERÁRIA = 1962 a 1975 e de 1976 a 1982. Política operária.
Alves, L. R. A., & Bacha, C. J. C. (2018). Panorama da agricultura brasileira: estrutura de mercado, comercialização, formação de preços, custos de produção e sistemas produtivos. Campinas: Alínea.
de Morais Machado, E. (2019). Questão Agraria e Capitalismo: O Caso Brasileiro. Boletim Gaúcho de Geografia.
Pinha, L. C., Guimarães, P. M., Braga, M. J., & Carvalho, G. R. (2020). Oligopsônio e poder de barganha no varejo alimentar brasileiro: o caso dos produtos lácteos. Revista de Economia Contemporânea, 24, e202434.