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Ficha de Heitor dos Prazeres

O fundo Delegacia de Costumes e Diversões do Rio de Janeiro é formado por fichas de identificação de profissionais dos mais variados ramos artísticos, que até 1959 precisavam se registrar na polícia para exercer sua atividade. O órgão ao qual cabia esta atribuição recebeu mais de um nome (Delegacia de Costumes e Diversões, Delegacia de Jogos e Diversões, Serviço de Censura e Diversões) e integrava a estrutura da Polícia Civil do Rio de Janeiro (1922-1944) ou ao Departamento Federal de Segurança Pública (1944-1959), ambos vinculados ao Ministério da Justiça.

Nas fichas de identificação, há espaço para extensa descrição física, inclusive marcas e sinais peculiares. Consta também idade, endereço, filiação, nacionalidade, empregadores, formação, gênero artístico ao qual se dedica.

Se o samba tem em suas origens festas e rodas realizadas desde o final do século XIX em áreas do Rio de Janeiro onde predominavam negros, imigrantes e pobres, a consolidação do ritmo e sua feição atual (embora sempre tenha havido um sem número de linhas diferntes dentro do chamado samba), foi entre as décadas de 1920 e 1940 que ele começou a se firmar como estilo nacional, derivado do cotidiano das favelas, cortiços e subúrbios. A despeito da permanência dos preconceitos, o governo autodenominado revolucionário que chega ao poder em 1930 sob a liderança de Getúlio Vargas acaba adotando algumas manifestações culturais de origem popular – embora em sua versão mais “domesticada”,­ – em sua busca por símbolos de uma identidade nacional, que também fosse urbana, moderna, original. 

Heitor dos Prazeres nasceu no Rio de Janeiro em 1898. Músico e artista plástico, participou da fundação da Estação Primeira de Mangueira, Portela e Deixa Falar, nos anos 1920. Transitava por diferentes grupos de músicos do samba, da praça Onze (que chamava África em Miniatura), até Oswaldo Cruz, berço da Portela.

Criou mais de 300 composições ao longo da carreira, com parceiros como Francisco Alves, Paulo da Portela, Cartola, Herivelto Martins, entre outros. Esteve no quadro de funcionários da Rádio Nacional, como ritmista, e também no Cassino da Urca.

Começou a pintar ainda nos anos 1930, e participou das duas primeiras bienais internacionais de São Paulo, nos anos 1950. Autodidata, Heitor retratava o cotidiano de pessoas simples com as quais sempre conviveu.

Morreu em 1966, na sua cidade natal.

Imagens: Frente e verso da ficha profissional de Heitor dos Prazeres. BR_RJANRIO_OC_ABR_3394. Delegacia de Costumes e Diversões do Rio de Janeiro. Fundo organizado, disponível no SIAN.

verso da ficha

Sugestões de leitura:

Lopes, Nei; Simas, Luiz Antônio. Dicionário da história social do samba. Civilização Brasileira. Rio de Janeiro, 2015.

Mussa, Alberto; Simas, Luiz Antônio. Sambas de enredo: história e arte. Civilização Brasileira. Rio de Janeiro, 2010.

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